quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Nós duas: eu e bru por motivos desconhecidos acabamos nos metendo em uma enrrascada das bravas! eu nunca gostei mesmo de palhaços...

B... e a Banda dos Zumbis

O grande dia havia chegado. Ambas estavam muito ansiosas. B... esperou por este show toda sua vida, enquanto L... estava prestes a sofrer um ataque de nervos. Os ingressos tremiam em suas mãos. Buzinas do lado de fora já mostravam a impaciência geral; a fumaça vinda do escapamento sufocava até mesmo as plantas do jardim. Seguiram para o show em um fusca amarelo – o único que podiam pagar com o salário de bibliotecárias -, que ao som da banda Paramore, ia amenizando a ansiedade cada vez mais crescente das duas. E, para ilustrar ainda mais aquele momento histórico, batizaram o pobre veículo com um apelido que combinava perfeitamente com a cor do carro e também com o tamanho de seus apetites: “Polenta”. A apresentação teria a abertura de uma banda desconhecida chamada Cova Rasa, que costumava tocar em lugares um tanto estranhos, como cemitérios e necrotérios, e que por um algum motivo até então desconhecido, não possuía muitos fãs vivos. Assim, B..., L... e Polenta, seguiram para o tão esperado concerto com um sorriso de satisfação estampado no rosto, e a certeza de que este dia seria lembrado como uma coisa do outro mundo.
O que elas foram prestigiar era o Paramore e não o Nevermore. Mas na verdade, elas nunca mais esqueceriam aquele dia. Mesmo polenta tendo apresentado alguns problemas técnicos durante o percurso – tanque na reserva e pneus carecas -, conseguiram chegar vivas até o lugar indicado no verso do ingresso. O lugar mais parecia um grande circo, talvez, em virtude da grande tenda que se estendida por toda uma área desmatada, e que em outras horas servia de estacionamento para uma grande companhia de ônibus. Caminharam alguns passos e se juntaram as inúmeras pessoas que aguardavam na fila. Cuidando da entrada, estava um homem alto e magro, que usando uma fantasia de palhaço parou perante as duas, e lhes presenteou com um sorriso amarelado e uma estranha pergunta que deixou ambas perturbadas: “Vocês não são vegetarianas? São?”. Nenhuma delas respondeu, e achando que se tratava apenas de mais um maluco qualquer, entraram correndo pela tenda.
Lá dentro, a fumaça que pairava no ar continha um estranho odor, o qual não podia ser identificado facilmente. Uns diziam que era formol, outros, que se tratava de banha de porco. Ambas acharam estranho o fato de que pelo chão estavam espalhadas unhas e chumaços de cabelos, porém, foi apenas uma preocupação momentânea, já que estavam há apenas alguns minutos de realizarem seus sonhos mais profundos. Entre os ilustres convidados na platéia estavam representantes ilustres do mundo dos mortos, como: o cineasta George Romero, criador do clássico A Noite dos Mortos Vivos, o cineasta e ator José Mojica da Silva, conhecido pelo personagem Zé do Caixão, os ilustres Albert Wesker e Nemesis, ambos vindos diretamente do game Residente Evil, além, é claro, dos integrantes da banda Canibal Corpse, que não poderiam deixar de prestigiar um grupo que tanto os influenciou. Todos esperavam ansiosos o início. Então, ao som da trilha sonora do filme psicose, todas as atenções se voltaram para o palco.
O palco era pouco iluminado. Lá em cima estavam o baterista, o baixista e o tecladista da Banda Cova Rasa. O baterista Jack “Pus” da Silva, usava uma camiseta do Sepultura, não possuía mais uma das orelhas, e, além disso, tinha os cabelos desgrenhados por sobre o rosto, o que tornava impossível reconhecê-lo por de trás da bateria. Por sua vez, o baixista Ernesto “Necrófilo” Batista, usava uma camisa preta da banda americana Testament, que contrastava muito bem com o aspecto cadavérico de sua pele. Curiosamente, ele sempre tocava seu instrumento com o rosto voltado para o chão. Já o tecladista Rick “Gangrena” Souza, vestia o uniforme completo da banda Grave Digger e detinha os olhos totalmente costurados. Parecia doente. Em muitos momentos, ele levantava sua cabeça para o alto e produzia uns ruídos horripilantes, ruídos estes, capazes de gelar o sangue que corre nas veias. Todos usavam uma espessa maquiagem e capuzes negros que escondiam seus rostos. Tanto B... quanto L..., estavam próximas do palco e continuavam achando o cheiro pútrido do lugar insuportável. Naquele instante, o estranho palhaço surge em cima do palco e com uma coleção de dentes incompletos, dirigi-se ao público presente.
Ao aumentar o pedestal do microfone para uma altura mais conveniente para seus mais de 2 metros de altura, o palhaço lança uma pergunta em direção das possíveis refeições: “Quem de vocês gostaria de ser uma estrela do Rock?”, sem ouvir nenhuma resposta imediata, dirigi-se então para nossas queridas “Roqueiras”. Após se abaixar de forma inesperada, o estranho palhaço estica seu longo braço e puxa B... pelos cabelos para o alto do palco junto da Banda Cova Rasa, e entrega uma bela guitarra para ela. A guitarra, um modelo SunBurn toda ilustrada com pequenas caveiras, que se adaptou muito bem em suas mãos, levando B... a achar que estava vivendo algum tipo de sonho. Mesmo sem entender nada do que estava acontecendo, B... aproxima-se do microfone. O excêntrico palhaço pede-lhe que cante a música de maior sucesso da banda – Nas asas da podridão - cuja letra estava colocada junto ao microfone. B... afina sua guitarra e começa a cantar pedaços da bela canção.
“Eu vou me arrastando pelo palco
Não sei se to vivo ou to morto
Eu chamo teu nomeB...
Eu vou deixando meus pedaços podres pelo chão
Eu vou te agarrar
Eu vou te morder
B...
Um dia... eu vou te pegar!”
Enquanto os presentes quase se matavam para conseguir repetir o refrão, B... começava a se perguntar por que a sua banda não conseguia acompanhar o seu ritmo e empolgação. Após todas as descrições, o leitor pode imaginar que os integrantes da banda Cova Rasa não só perdiam o compasso, mas também outras partes do corpo durante a execução da bela balada. Em seu solo de bateria, Jack “Pus” da Silva tenta jogar as baquetas para a platéia enlouquecida com sua velocidade e técnica apurada. Após a baqueta ser jogada – coincidentemente na direção de L... -, todos se surpreendem ao perceberem que não havia sido apenas a baqueta que tinha sido arremessada ao público, mas que junto dela, ela recebeu de brinde também o antebraço do mórbido baterista. Num ato inconsciente e hilário, ela levanta seu tesouro para o alto, e leva o lugar a se transformar num verdadeiro pandemônio. Em meio a gritos de desespero, B... pula na galera – que infelizmente, já não estava mais lá para segura-lá - , e após perceber que todos os ossos estavam no lugar, corre junto com L... em direção da saída de emergência.
Quando saíram pela porta, o carismático palhaço tenta agarrá-las, porém, sem sucesso. Então frustrado, lamenta-se: “Eu perguntei se vocês eram vegetarianas, não perguntei?”, e acompanhado de sua divertida buzina, solta gargalhadas por todo o lugar. B... e L... correm em direção do seu querido Polenta, que as aguardava embaixo de uma árvore. Ao se encaminharem para casa, B... liga o rádio e sintoniza numa rádio qualquer apenas para relaxar e esquecer toda aquela loucura. Em meio a conversa empolgada, ambas sentem o coração disparar com o anúncio do estranho locutor: “ E agora com vocês, mais uma estréia mortal aqui na sua Podreira FM, a belíssima canção Nas asas da podridão, da revelação mundial Cova Rasa. B... então vira-se para L... e comenta: “ Quer saber de uma coisa?". L... responde positivamente com a cabeça. “ Não quero mais saber desse negócio de guitarra, de hoje em diante, vou tocar é gaita!".

2 comentários:

disse...

hahahahaa :)
digamos que temos uma migo um tanto quanto MACABRO presente em nossas vidas..

Área Cultural disse...

ahauhsushsu siim!
mas mesmo assim q a gente considera demais :)